18/06/2009

Infinito ao meu redor - Marisa Monte

18/06/2009

Há muito tempo que venho ensaiando escrever esse post e chegou a hora de dar um chega pra lá nos adiamentos. Portanto, estou passando para recomendar a quem ainda não viu, o DVD Infinito ao meu redor da Marisa Monte. Não me canso de admirar o apuro musical dessa moça. Para mim, de longe, a melhor cantora brasileira contemporânea. Amo a sua voz de cabeça e sua respiração sempre no tempo certo da música. Sempre que me bate a saudade de ouvir algo fora da rota estandardizada da música de massa, opto por Marisa Monte sem hesitar. Em épocas de regressão do ouvido, Marisa Monte é sempre um alento. Nesse DVD, um documentário também musicado, Marisa Monte mostra que prescinde da plástica do corpo e da voz. Ela é por si mesma in natura. Sim, como muitos já ouviram falar, há poucas músicas e a ênfase é dada ao documentário (o making of de sua turnê). Mas, quem acompanha Marisa Monte sabe que ela segue a contracorrente e por isso permanece. Um olhar atento ao vídeo registrará não se tratar apenas dos bastidores de sua produção musical; para além disso, o que vemos é a Marisa Monte e os bastidores de si mesma. Sempre um verdadeiro show de bola!

14/06/2009

A mulher invisível - O Filme

14/06/2009

Nada mais imaginativo e inteligente do que falar das tristezas da vida fazendo uso do requinte equilibrado do humor. Saca só essa história:

Pedro é abandonado pela mulher que ama e inundado pelo medo de estar só, cai em depressão. Direto do limbo, essa zona obscura fora de qualquer planeta, ele se agarra a válvula de escape da imaginação; terreno fértil para que a projeção de seus sonhos, isto é, o modo como gostaria de estar vivendo se transfigure na forma da mulher ideal: Amanda. A mulher em questão só existe na cabeça de Pedro. Todinha fruto de sua imaginação e totalmente invisível. Porém, crendo que Amanda é real, Pedro insiste em apresentá-la ao seu melhor amigo, o que resulta em cenas engraçadíssimas.

Mas, não vou contar mais nada porque é lógico que se trata de uma história que rende pano para manga e lágrimas de risos. A mulher invisível é um filme divertido, com o ritmo das comédias românticas de Hollywood, porém com o temperinho brasileiro. Sabe aquele dia em que você não quer nada que não seja apenas se refestelar com uma vadiagem útil para alma? Eis, então, uma boa pedida. Para os românticos de plantão, um prato cheio. Um filme leve que levanta a bola da auto-estima, tema sempre essencial uma vez que a baixa estima me parece ser uma das grandes crises mundiais. Ou seja, recado dado: antes de entrar de cabeça em uma relação, leve o melhor de si mesmo(a), aposte em si mesmo(a) e ame-se muito.

Em tempo: Selton Mello como sempre está ótimo. Achei que a atriz Maria Manoela (a vizinha do apartamento ao lado que sabe de tudo que acontece na vida de Pedro pela parede da cozinha) está uma fofa. A Fernanda Torres, nas poucas cenas em que aparece, consegue sempre tomar a cena para si. O Vladimir Britcha incorpora dignamente o papel de melhor amigo e é muito bom vê-lo na telona.

02/06/2009

Sílvio Barbato

02/06/2009

Estou ainda transitando em um misto de choque e uma esperança intermitente. E nesses momentos me vem à lembrança essa figura imponente plena de vida e de música. O cenário musical de Brasília e do Brasil sempre agradecerá o grande maestro Sílvio Barbato, um dos passageiros do voo AF 447.


Em todas as lágrimas há uma esperança.

(Simone de Beauvoir)

30/05/2009

O ilusionista

30/05/2009

Na virada do século 19, em Viena, o mágico Eisenheim (Edward Norton) apaixona-se pela princesa Sofie (Jessica Biel). Só que, além dela ser de uma casta social superior, está noiva do príncipe Leopold (Rufus Sewell). Dessa forma, o ilusionista usa de suas habilidades para separar o casal, o que causa instabilidade na cena real.

Depois que assisti O grande truque e comentei sobre ele aqui, recebi a valiosa indicação da Daniela e da Bia para assistir ao Ilusionista. Bem, fui conferir e reforço com louvor a recomendação das duas. Além de ser uma trama instigante com uma fotografia primorosa, o diferencial do filme é o contexto amoroso entre Eisenheim e a condessa Sofie. Conforme o título do filme faz menção, a trama nos traz uma linha borriscada entre realidade e ilusão. Sendo assim, a história desenrola-se pelo caminho sinuoso do suspense onde se pode contar com algumas chaves que nos levam, ao término do filme, a expressar “então, era isso! Como eu não percebi?” Esse é o fascínio que esse drama mágico exerce em nós ainda que um final um pouco atrapalhado lhe sirva de mácula. Mas, a meu ver, é um pormenor sem importância. Vale a pena!

25/05/2009

Estejam convidados

25/05/2009
Caríssimos, passando só para convidá-los a passar no maravilhoso Elas estão lendo. Sou a participação da vez. =D



Mais um convite... Está rolando o mais recente desafio da IL. O tema é chiclete. 1) Passe lá, 2) leia, 3) comente os textos e 4) vote. Os leitores que cumprirem essa dinâmica tem a chance de participar de nossas promoções e levar o prêmio. Quer saber qual é o prêmio da vez? Passe na IL e confira!

23/05/2009

X-Men Origens: Wolverine

23/05/2009

Então, fui ver Wolverine, o filme. Claro, Wolvie Jackman continua lindo e mais qualquer outro adjetivo que se encaixe no talento superlativo do ator. Porém, quero deixar clara a minha apreciação do filme como um evento puramente de entretenimento. Nada mais, nada menos. Tivesse eu levado isso a sério e talvez não passasse raiva. Mas, como fã desde a infância dos quadrinhos dos X-Men como não me apropriar do meu papel de traída nessa história? Aliás, fica a pergunta: Custa seguir a história original?

O roteiro não me agradou pelas diversas licenças que modificaram a história original. Como assim, me perguntava, Wolverine e Dente de Sabre irmãos? Peralá e isso é só pra começar! Mas, a explicação dada para a perda de memória de Wolvie é, no mínino, frustrante. Por falar nisso, um ponto pouco explorado no filme é o conflito reflexivo do personagem em torno do suplício de não conhecer seu passado. È, a meu ver, o que credita profundidade ao personagem. Um ser mutante, complexo que, ao mesmo tempo em que é capaz de usar suas garras sem pudor contra seus inimigos, também se pauta por um código de honra bem evidente. Capaz de ser solidário e sentimental ainda que sempre em luta com o animal em latência dentro de si. Afinal, o mistério sobre quem é Wolverine, de onde surgiu, qual o seu passado sempre me intrigou. Uma lástima sua pouca exploração.

Mas, recomendo o filme mesmo assim para quem curte assistir uma história descompromissada na telona ou uma sessão cinepipoca no ambiente aconchegante de seu lar doce lar.

08/05/2009

O leitor de Bernhard Schlink

08/05/2009

Desde o lançamento de O perfume, de Patrick Süskind, O leitor é a obra alemã mais aclamada por crítica e leitores, traduzida para mais de 30 idiomas. O livro foi vencedor de inúmeros prêmios, entre os quais o Welt (Alemanha), o Grinzane Cavour (Itália) e o Laure Bataillon (França). Michael tem somente 15 anos quando conhece Hanna, uma mulher 21 anos mais velha.É o início de uma delicada relação amorosa, marcada por pequenos gestos e rituais. A leitura de clássicos de Tolstói, Dieckens e Goethe precede os encontros. Ao longo de meses, o casal repete essas cerimônias, interrompidas pelo súbito desaparecimento de Hanna. Sete anos depois, Michel, estudante de direito é convidado a tomar parte em um julgamteno contra criminosos do regime nazista. Ele descobre que uma das acusadas é sua antiga amante, o que o lança a um vórtice de culpa e piedade.


O leitor de Bernhard Schlink foi lançado em 1995 e alcançou relevo ao ser adaptado para o cinema em 2008. Não tive oportunidade de assistir o filme ainda, mas, já o considero contemplado com ênfase em minha lista de coisas a fazer no ano corrente. Fiquei bem impressionada com a obra de Schlink, sobretudo, com sua prosa simples ao tratar de temas complexos e profundos como a culpa e a responsabilidade em um contexto pós-guerra.

O autor vai além da visão, por vezes, maniqueísta do que foi o cenário do holocausto. E revela originalidade ao confrontar a geração da guerra com a geração pós-guerra, evidenciando a profunda falta de entendimento entre essas duas partes.

Amor, vergonha, culpa, sexo e moral, todos esses temas aparecem e assumem o escopo central e a razão de ser da história a nós descortinada pela relação entre um jovem de 15 anos e uma mulher de 36. Uma relação em que não basta tornar manifesta a desigualdade óbvia da idade. È bem mais que isso. E com o passar do tempo cronológico que corre e organiza os fatos da trama, a idade torna-se irrelevante. Muito mais instigante é a desigualdade que se expressa no nível social. Em que pese a natureza de ambos os personagens e a época em que viviam, é uma diferença menos óbvia por aparecer camuflada na ingenuidade peculiar de alguém com quinze anos vivendo o limiar das descobertas e na sabedoria própria de quem, com 36 anos, supostamente já experimentou diversas mudanças na vida. Nada é tão somente preto no branco, a narrativa nos diz.

Trata-se de um livro cuja leitura não pode prescindir do olhar atento que busque, palavra por palavra, indícios reveladores do mistério de Hanna. E quando conseguimos encaixar as peças cada uma em seu lugar, vem o choque por saber-nos juízes implacáveis de uma Hanna vista na superfície. E a beleza da história consiste em, junto com Michael Berg, descobrir quem é Hanna. E assim como ele, estarrecidos, constatarmos que nunca a enxergamos tal como era.

O que a levava ser como era? Quem é Hanna? A controladora que decide a natureza do encontro entre os dois marcado, sobretudo, pelo acentuado componente sexual? A metódica que insiste na rotina tríade de banho, sexo e leitura? A que se mostra estóica, até mesmo arrogante, perante o tribunal? Existem tantas perguntas relacionadas à Hanna e que, no momento, não posso tecê-las sob pena de contar a trama além do devido e estragar a surpresa. Mas, a descoberta de quem Hanna é uma das coisas mais lindas que pude vivenciar em uma leitura.

O livro é narrado em primeira pessoa como se quisesse ser lido em voz alta. Como se déssemos voz à confusão, curiosidade, descobertas, despertares, revelações e às perguntas retóricas que Michael Berg, o leitor e o narrador não por acaso, tece o tempo todo. E essa é a natureza constitutiva do texto de Bernhard Schlink; a de possibilitar que eu incorpore as vivências de Michael e Hanna, que eu seja eles pelo breve tempo do enquanto durar a leitura. E ao seu término, sem deixar de ser eu mesma, descubro-me alimentada n’alma e intelectualmente. E assim, eu, a leitora, através de tantas leituras já feitas posso dar sentido ao que vivi e tenho ainda por viver.

O exercício da empatia parece ser a escolha adequada e criativamente pensada para estabelecer a analogia da relação de amor entre Michael e Hanna com o amor nutrido pelos alemães da geração pós-guerra por seu país. Como amar alguém que cometeu a maior atrocidade que o mundo já conheceu? Eis a pergunta disposta na orelha do livro. De modo que um livro como esse é para ser lido de maneira cuidadosa e refletida.

Um bravo para o escritor! O livro é muito mais do que sou capaz de dizer...
 
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