18 Abril 2008

Blogagem Coletiva: O que eu faço para acabar com o Analfabetismo no Brasil?


Estou aqui a responder a pergunta vital formulada pela blogagem coletiva. A maneira com que a pergunta foi formulada – bem elaborada, diga-se de passagem- não permite fugas. Insta o compromisso. Isso é muito bom.

Bem, optei por ser voluntária nos projetos de alfabetização e letramento desenvolvidos por intermédio de programas de rádio (Educação a distância). Tal mídia alcança lugares remotos e com pouca infra-estrutura. È preciso se pensar em modalidades alternativas de educação para atender a quem tem dificuldades de acesso à uma sala de aula presencial.

Em nome da honestidade, digo que tenho feito muito pouco. De modo que resulta decente responder: o que ainda posso fazer para acabar com o analfabetismo no Brasil?

Primeiro, pensar e fazer uma educação eticamente sustentável. Uma boa contribuição que podemos oferecer aos analfabetos é entender que alfabetizar é ler o mundo e também as palavras. Aliás, para o educador Paulo Freire, a leitura do mundo precede a leitura da palavra. O que isso quer dizer? Quando do processo de alfabetização, as pessoas já nos chegam grávidas do conhecimento do mundo e com ensinamentos vários a compartilhar. Interessante notar que isso extrapola o conceito de alfabetização. Alfabetizar é de extrema importância. Mas, não garante indivíduos letrados. Reconhecer que educar não exige transferências mágicas de conhecimentos a quem julgamos desconhecedor já é um bom passo. Pelo menos o primeiro de uma longa trilha a ser palmilhada.

Uma idéia interessante para ser posta em prática diz respeito às bibliotecas populares. Aí podemos dividi-la em duas finalidades distintas:
A primeira voltada para a criação e manutenção de um acervo de conhecimento composto de mídias diferenciadas para leitura e pesquisa. A segunda concentrada no atendimento da leitura de textos com contextos, isto é, leitura de mundo e leitura de palavra. Idéia gestada por Paulo Freire divulgada em seu livro “A importância do ato de ler”. Sua proposta centra-se em estimular os alunos em processo de letramento a escreverem seus textos. O acervo é construído a partir da inclusão de páginas escritas pelos alunos.

Não são finalidades difíceis de serem implantadas quando uma ação coletiva é promovida. Enfim, No quintal de casa, na igreja, no local de trabalho, onde quer que se dê o evento educativo é possível montar uma biblioteca popular. Depende de um esforço político e cultural de cada cidadão.

Alfabetizar é uma tarefa que demanda esforço. Além de conhecimento, exige-se sensibilidade e um querer bem ao educando. Sensibilidade e percepção são fundamentais quando deparamos com estilos e ritmos de aprendizagem diferentes. Pessoas com inteligências e conteúdo existencial distinto que precisam ser cuidados e maximizados.

Bem, tentei responder da melhor maneira que pude a pergunta proposta. Esse é um assunto que não se esgota em estudos científicos. Mas, o indício de que o caminho a percorrer é longo e inesgotável leva-nos a persistir em prol de um país digno.

E você? Diga-me o que tem feito para combater o analfabetismo no Brasil?

Para saber mais: veja as contribuições dos blogs participantes listados no blog Saia Justa.

1 comentários:

Georgia disse...

Vivi, sei que a pergunta assim direta faz perder o fôlego mesmo. E dá o que pensar.
Mas tinha que ser e nao dava para ser diferente.

Gostei da sua sugestao sobre a leitura,, bliblioteca, livros. Tudo viável e incentivador. Além do quê ler diminui muito o analfabetismo funcional.

Grande abraco e obrigada pela participacao.

Georgia

 

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